Sobre a Patricia

Professora de Yin Yoga e Kundalini Yoga em Sintra

Ao yoga não cheguei à procura dele. A primeira coisa que experimentei, com vinte e poucos anos e uma vida a cem à hora, foi uma aula de ashtanga que não era para mim. Saí a pensar que aquilo não tinha nada a ver comigo, e pus a ideia de parte.

Estupa de Boudhanath em Kathmandu, no Nepal, com bandeiras de oração, na viagem de 2008.

A viagem que mudou tudo

Tudo mudou numa viagem. Em 2008 dei a volta ao mundo e descobri a meditação. Na Índia, uma professora falou-me do Kundalini Yoga e adivinhou que seria a minha prática. Voltei a casa sem trabalho e com mais perguntas do que respostas. Quis o acaso que encontrasse Kundalini Yoga mesmo ali ao pé de casa. De longe, foi o que me agarrou.

Grupo da formação de Kundalini Yoga, de branco e com turbante, sentado no chão a sorrir.

Formar-me para poder praticar

Depois mudei-me para o Luxemburgo, onde não havia aulas de Kundalini Yoga em lado nenhum. Por isso decidi formar-me, ao início só para poder praticar sozinha. Fiz a formação em Madrid, na Mukande Ubuntu, uma escola em parceria com a Gobinde Yoga, da minha mestra Siri Tapa. Viajei a Madrid vezes sem conta. Foi aí que recebi o meu nome espiritual, Krishan Atma Kaur, que fala de criatividade e de vida nova. E aconteceu uma coisa que eu não tinha previsto: quanto mais praticava, mais vontade tinha de o partilhar. Parecia-me uma técnica fascinante, e sentia que os outros mereciam descobri-la como eu a descobri.

Kundalini Yoga e Yin Yoga, as duas práticas

O Yin Yoga chegou mais tarde, quase por acaso. Já ensinava Kundalini Yoga quando experimentei uma aula de Yin Yoga, e deixou-me uma calma que nunca tinha sentido. Durante o confinamento formei-me com a Carolina Drake, e desde então as duas práticas caminham juntas em mim. Não competem, completam-se: o Kundalini Yoga levanta a energia, o Yin Yoga ensina a soltar. Sou bastante metódica, e preciso desse soltar tanto como da energia. Por isso ensino os dois.

A casinha de pedra onde decorrem as aulas de yoga, na Quinta do Pé Descalço em Sintra, rodeada de oliveiras.

Sintra e a casinha da quinta

Estou apaixonada por esta zona. Fica perto de Lisboa, tem uma das costas mais bonitas de Portugal e uma energia difícil de explicar até a sentires. Não é conversa nova: há muito que Sintra atrai quem anda à procura de algo, e essa energia antiga ainda se sente na serra, nas pedras e no nevoeiro que às vezes desce. O meu espaço é uma casinha no fundo da Quinta. Quando dou uma aula, entra o vento, sentimos as árvores a mexer, ouvimos os pássaros, e esta natureza que entra sem pedir licença faz parte da prática. É também o meu refúgio. Há dias em que vou só para estar, para me deitar em silêncio e recuperar espaço. Pé Descalço diz bem o que se sente ao chegar: descalças-te, abrandas, estás em casa.

Patricia sentada no chão de madeira, a sorrir para a câmara, em roupa de prática.

Nas aulas

Nas aulas sou próxima. Ouço o que cada corpo precisa e respeito-o, a começar pelo meu. Não é preciso chegar a posturas difíceis para sentir o yoga por inteiro. Já vi chegar gente desconfiada que hoje não falta a uma aula, e quem tinha vergonha de cantar e agora levanta a voz sem pensar.

Fora do tapete

Fora do tapete sou inquieta. Gosto de viajar, de cozinhar e de partilhar a mesa com quem gosto, e falo quatro línguas por essa vontade de conhecer outras culturas que nunca me passa. E há os animais da quinta: a Pepita, o Río e a gata Nina, que às vezes se enfia na aula e fica connosco a dar boa energia.

Se levares uma só coisa de praticar comigo, que seja esta: o teu corpo é o templo da tua alma. Essa pessoa que anda sempre com pressa lá fora não és bem tu. És-o quando estás presente, como estiveste no tapete, por inteiro.